Martim da minha Alma,
Hoje o Mano e eu fazemos anos.
Eu, cinquenta e nove, ele, vinte e seis. Este ano, você faria trinta. Provavelmente já estaria casado e eu com um neto a caminho, ou talvez estivesse do outro lado do Mundo a viver o seu sonho. Não sabemos. Não saberemos nunca.
Tenho uma dor imensa dentro de mim, uma dor que diariamente me rasga as entranhas. Já me habituei a ela, já sei que jamais me deixará. Mas ao lado dessa dor, confesso que a vida me tem envolvido. E nessa envolvência, me tem abraçado. Às vezes, esse abraço estrangula, porque nos põe à prova.
Aprendi tanto, mas tanto nesta(s) V(v)ida(s), vividas de forma tão intensa, quanto fugaz, que nada e, acima de tudo, ninguém nos pertence.
Tudo é uma dádiva, algumas que perduram, outras tão efémeras como breves, instantes celebrados en nano-segundos de tão rápido que passam.
Lembro-me de um dia dezoito de Outubro perdido no tempo das minhas memórias, em que de manhã, na cantina improvisada da VWFS versão Alfragide, num escritório que cresceu connosco e com a visão de um visionário, ter olhado pela janela. E ter visto uma "Brasa", de mochila às costas. E de pensar, e de verbalizar isto ao Dany e ao Bruno, meus Manos terrenamente astrais:
- " Meu Deus, aquele miúdo parece o meu Filho Martim".
E uns segundos mais tarde, percebo que "aquele miúdo" não era parecido, era mesmo o MEU, que tinha vindo directamente do aeroporto, depois de sair de Barcelona de madrugada, para passar o meu dia de anos comigo, e o dia de anos do irmão dele com ele.
Retenho essa imagem como se de um tesouro se tratasse...
...toda eu sou EMOÇÃO!
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