segunda-feira, 12 de outubro de 2026

12.10.2026. - One day plus 1532 - sobre a lei a sincronicidade

Meu adorado Filho,


Na semana do meu aniversário, que este ano será redondo, ouvi um mocho ou uma coruja, hoje ao início da noite. E estava a aquecer uma canja aqui no Loft, quando, ao puxar o fogareiro a gás da secretária que comprei com o dinheiro que ganhei com as minhas primeiras Dianas, as suas Filhas aí no Céu, sem querer, caiu-me ao chão a moldura que tinha encontra€o na garagem. Fiquei toda arrepiada antes de a virar, sabe da. Unha aversão aos cacos. Mas suspirei de alívio, quando vi o lenho. O seu irmão está intacto, o lenho atravessa o seu rosto lindo exactamente ao meio. 

Percebi que aí no céu vocês se baralham com as datas, e os timings, e você conseguiu assim um buraquinho para me vir dar um beijo na semana do meu aniversário. Há longos meses, já nem sei precisar, que não recebia um sinal seu. Além daqueles que vivem no meu coração, a todo o instante. Que frase tão mal construída, como o que resta de mim, mas que ainda consegue respirar.

Tim…

Obrigada!

Sempre comigo, sempre em mim, sempre aqui!


Mil beijos da sua Mãe que o adora,

Mami


P.S. Deixei de conseguir fazer o upload de fotos. Prometo que as ponho aqui mal consiga resolver o problema!

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

9.10.2926 — Those Automn Leaves…

 



Martim da minha Alma,


Parte-se-me o coração, quando vejo há quanto tempo não lhe escrevo. Mostra-me o quão grata posso estar à voracidade da vida. Esfaimada, faminta na ânsia da sua fome desmesurada, ela engole-nos, suga-nos para o seu vórtice e centrifuga-nos a mil e quatrocentas rotações por minuto. 

Estamos. Somos.Vivemos. Ao fim de dois meses e meio ainda não temos casa, uma mísera casa de banho de seis metros quadrados. Mas a Fé não nos abandona. Tenho saudades do seu Altar, da cozinha, de comida “home-made”, naquele experimentalismo que nos caracteriza. É bom escrever no plural, e também no Presente - essa eterna dádiva - do Indicativo. (Ante)vejo futuro, e netos. Dói-me o pescoço como o raio, tenho noites mal dormidas, muito mal dormidas, mas continuo. Sempre com Alegria.

Meu Filho querido, jamais esquecido, todos os dias o sinto na minha Dor Maior. Mas também já o consigo celebrar no Suavizar do Luto. 

Que Caminho…que oceano de lágrimas, que sofrimento…

Mas também quanta, mas quanta Gratidão!

Mil beijos da sua Māe que o adora,

Mami

domingo, 2 de agosto de 2026

2.8.2026 Ainda sobre hoje — One Day, too many - Ou sobre morrer e renascer!

 


Meu adorado Filho,

Há muito que aqui não lhe escrevo, porque lhe escrevo todos os dias dentro do meu coração, mas tá,be, porque tenho escrito noutros lugares. Infelizmente o que não consigo escrever é o meu livro, o tempo e o raio do trabalho não mo permitem.

- “Porra Mãe, não invente, ok? Não invente!”

E tem toda a razão meu Filho. Contudo, ao deixar que a vida me engula no seu apetite devorador, penso que também o estou honrar. Porque é inegável que eu fui um Ser Humano, depois fui Corpo sem Alma, para logo depois ser verme e rastejar, depois arrastei-me, depois andei de joelhos. E hoje em dia caminho. E sou Pessoa. Não o Fernando, claro, mas sou Pessoa nas minhas miríades de (Id)entidades que formam o que é, neste momento, a amálgama do meu Ser.

Existo. Já não me limito a respirar. Existo. E penso. E analiso. E sofro. E acima de tudo sinto. Saudade!

Mais, a cada dia que passa. Mas essa Saudade já não me devora tanto. A vida, tal qual bóia salvadora, chama-me.

E isso, meu Filho, é a MAIOR prova de que honro a sua Memória. Trazendo cá para fora as minhas memórias. Milenares, claro. Porque só vos honrámos, se dermos um sentido a vida. 

Mil beijos da sua mãe que o adora,

Mami


sábado, 25 de abril de 2026

25.4.2026 - Sobre rosas e fiéis jardineiros, sobre a Saudade e sobre dias (já sem conta) “Au breakfast club de Paris)…

 



Meu adorado Filho,

De facto a vida engole-nos, mas jamais digere a saudade; essa refluxa de novo, todos os dias, a todos os instantes, sempre no âmago do meu ser. Mas o que é facto, é que já não manuseio a máquina de costura como gostaria. E isso é um sinal que me preocupa, ou melhor, que me faz reflectir. Tanta coisa aconteceu nestes últimos três anos e meio depois da sua morte, ou da sua passagem, porque é e disso que se trata, que não há palavras para o descrever.

Resolvi investir uns trocos num iPad, simplesmente porque é prático, e nele navego, e escrevo, e relembro e recordo e revivo! A saudade não se atenua, simplesmente caminha ao nosso lado, como a nossa sombra. Mas quando fecho os olhos, e estendo os braços, aqui estamos, você e eu, sempre, sempre e para sempre unidos. Esta semana vi uma reportagem sobre um casal que perdeu um filho. Envelheceram mil anos, tal como eu, mas vivem na amargura, enquanto eu decidi viver na gratidão. Sei que está furioso comigo, e com razão, porque lhe devo o meu projecto, mas o trabalho tem-me sugado o tutano dos ossos. À noite estou tão cansada, que me anestesio em frente à televisão, eu, que sempre detestei aquele ecrã azulado, porque nada, ou muito pouco, me acrescenta. A minha cabeça é um labirinto do Minotauro. Não sossega e não encontra a saída, mas caminha, sempre em busca de algo, que não é tangível, mas que é “essencial aos olhos”! Você é a minha raposa, o meu campo de trigo loiro como os seus cabelos, com aquele remoinho tão querido à frente, o de passei as minhas mãos nos seus últimos minutos.

É difícil. Todos os dias são difíceis, mas há dias, como o de hoje, em que dou Graças. Ou melhor, dou Graças todos os dias. O Mano aprendeu sozinho a tocar piano, através de pautas. Não de ouvido, mas mesmo a ler as pautas. Fiquei fascinada. O miúdo é incrível, ele próprio, a sua circunstância. Sua, dele, não sua, embora a sua (omni)presença seja constante. “I’m hungry for you my love, so come on and rescue me, love is just not enough, out of this World of needs”, e hoje o Bé fez Minestrone para o almoço. Nem me apercebi, presa aqui em cima, na minha torre não de marfim, mas de ferro (lembra-se da Iron Tower e das nossas noites de pandemia a ver a Guerra dos Tronos)? com o stress do trabalho como pano de fundo? Lembro-me de cada momento, de cada instante, de cada gargalhada e de cada sorriso, por entre este mar de lágrimas que me assola. 

Cada vez mais estou convencida de que a vida poderia ser muito mais simples, se fôssemos todos mais hedonistas. Se parássemos para sentir o perfume das flores, a simplicidade das coisas, numa atitude singela, mas não. Queremos sempre mais, numa inconstância faminta de “happenings” que teimam em não acontecer, porque o que acontece, é derivado das nossas necessidades e do nosso querer. 

Mil anos. Mil e um. Uma Eternidade. Tudo o resto assume a importância que lhe queremos dar. O Tempo, ele próprio com o seu tempo, num tempo intemporal, porque tudo é vivido em simultâneo. 

Tanta saudade Martim. Numa esquizofrenia, como que se de uma realidade paralela se tratasse. O tempo mitiga aquilo que não é atenuável, talvez numa defesa do cérebro, não sei. Não é passível de descrição. É apenas passível de vivência. Todos os dias me reinvento, todas as manhãs ressuscito, todas as noites morro, uma vez mais. 

Martim…o Céu precisa de Anjos e levou também o meu. Tenho sorte, deixou-me o outro, o terreno, e trouxe-me outro Arcanjo,  e tem-me trazido tanta vida à morte em vida, que nem sei como agradecer. E, contudo, você continua a ser o meu último pensamento à noite e o primeiro ao acordar. Aprendi tanto consigo, antes e depois da sua morte.

Meu Filho tão querido, há muito que lhe devia mais uma missiva, destas nossas que atiramos, não ao mar, mas ao Universo.

Continuo a ser e a sentir-me ponte, caminho, ligação entre os Planos. Há dias em que estou mais neste, outros muito mais nesse, mas sempre à procura do meio termo. Existe uma ligação directa entre a Vida, a Morte e o Tempo. Não a sei definir.

Talvez você me ajude através do Espaço, dos Planos, do Universo!

Mil beijos da sua Mãe que o adora,

Mami


quinta-feira, 5 de março de 2026

05.03.2026 - O ano do Cavalo (de Fogo) - parámos a contagem!



Meu Filho tão querido,

Muitas Luas passaram desde que lhe escrevi pelo última vez. Contudo, menos, muito menos do que as noites de insónia. 

Valeu a pena, vale sempre a pena quando lutamos pelos nossos ideais e pelos nossos valores, carregando o estandarte dos nossos sonhos para o campo de batalha, fieis às nossa crenças e às nossas visões (ou vizuializações, sempre positivas), e sabemos, porque sentimos em cada poro que estávamos certos. Quem sabe e sente que tem a pureza do seu lado, não teme, e prefere o Nada, para conseguir o Tudo. 

Lembro-me daquele dia tórrido de Verão, e daquele final de tarde que tudo, mas mesmo tudo, tudo mudou na minha Vida. Vejo o seu rosto pálido, esquálido e já semi gelado, mas com os olhos a piscar, enquanto as máquinas apitavam dezenas de vezes. Lembro-me da manta térmica, dourada, que o cobria. Revejo o seu corpo, o seu rosto, imaculado - à excepção de uma pequena marca na testa - lindo como sempre foi. Afaguei os seus cabelos, aquele remoinho rebelde que sempre lhe nasceu na testa, senti o perfume daquele loiro escuro, e a suavidade do veludo desses fios por onde passei as mãos com o maior cuidado possível, porque todo o seu corpo era uma fragilidade de uma porcelana francesa mal colada, tudo preso por um fio. 

Senti a sua luta interna, externa, extra-terrena naquela batalha que, naquele momento, o senti lutar. Senti-o todo à minha volta, enroscado como só um ponto de interrogação se enrola à volta de uma pergunta, para a qual ninguém tem resposta. Ou talvez tenha:

O CÉU PRECISA DE ANJOS!

E agora diga-me lá, conhece alguém que alguma vez tenha visto um Anjo feio? Sempre li, ouvi e aprendi que os Anjos são de uma beleza física inigualável. 

Só me arrependo de duas enormes coisa na Vida: de não ter tido a coragem de lhe afagar as mãos, que estavam debaixo da manta térmica - mas eu tinha tanto, mas tanto medo de o magoar ainda mais - e de não lhe ter dito as vezes suficientes que o amava, embora tenham sido as últimas palavras que trocámos, ambos ainda neste Mundo.

- "Adoro-te Filho lindo", disse-lhe eu, enquanto lhe dava a benção pela última vez, e me afogava no amor infinito dos seus braços, encostada ao conforto suave do seu peito, e ao seu cheirinho, carne da minha carne, Vida da minha Vida, Perfeição da minha Imperfeição.

...Martim...acho que nem sequer vale a pena transcrever estas nossas conversas, porque ambos sabíamos que 2026 seria um ano especial. Um ano de recomeços, de fechar de ciclos. Fomos com tudo, Você e eu, uma vez mais. Entrámos com os cavalos todos, de fogo e de cinzas, e pusemos o Mundo em chamas.

Vencemos. 

Conseguimos. 

Fechamos um ciclo, talvez o maior de todos. 

Eu fecho um ciclo que me matou, porque criou a esquizofrenia de um hiato de tempo que é, pelo menos, milenar, que é algo que nós humanos não conseguimos explicar. Eu não tenho, como a maioria das pessoas normais, uma linha de vida que continua no tempo. Não, eu tenho uma linha de Vida que me matou, e que me obrigou a ressuscitar depois de mais de mil anos, numa vida de um sofrimento tal, que não sei como consegui (sobre)viver. Penso que o que vivi, psicológica e emocionalmente, se assemelha a um "Dachau" ou "Treblinka". Só que em vez de "Arbeit macht frei", lê-se "Trauern macht frei". É a mesma coisa que atirarem uma bóia a um náufrago, para logo depois, quando ele ainda está a recuperar o fôlego e perceber que está vivo, a furarem com uma seta.

NINGUÉM, mas mesmo ninguém consegue sequer imaginar a dor que significa perder um Filho na flor da Vida, um Ser Humano LINDO, por fora e por dentro, as pessoas nem sequer sonham o que acontece aos que lhe deram a Vida, nem aos seus irmãos.

MARTIM, você queria que a sua Vida tivesse um significado maior, e teve. Escreveu-se uma forma de Jurisprudência. 

Está aqui a sua Eternidade.

Nunca pensei que voltasse a sorrir, muito menos a rir. E ainda menos a conseguir continuar a sonhar. Mas faço-o. Todos os dias!

Inspirada em SI!

Mil beijos meu Amor, meu Filho, minha Vida,

da sua Mãe que o adora

Mami




quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

18.12.2025 - One Day plus too many...um dia depois da Tiá, um dia antes do avô Gão, uma semana exacta antes do Natal!


 



Meu adorado Filho,

Há demasiado tempo que não lhe escrevo - demasiado - esquecido, procrastinado, adiado, em mil e uma coisas. Passaram os seus anos, e eu muda fiquei, passou o dia da máxima Expiação, e eu não tive coragem para lhe escrever a descrever o Calvário martirizante que vivemos. Que vivi. Foram semanas de insónias constantes, de pesadelos, de vigílias, de "wishful thinking", de vida de morcego, e com um volume de trabalho indescritível. Não sei como sobrevivi, acho que era para viver o dia de hoje. Vivi, de novo, o INFERNO. Sou prima de Dante. 

E aqui, não posso deixar de sentir amor, carinho e uma enorme gratidão por quem me abraça, adormece, me carrega e me atura, porque amar uma mãe, uma filha, e uma mulher que perdeu um filho não é tarefa fácil. E não é para todos. Mas é para os que aqui estão, e que me carregam.

Ontem faria anos a Tia, a Estrela que está mais longe no meu Universo celestial, e que muito, muito raramente, fala comigo, sobretudo de uma forma tão próxima como ontem. Foi linda a nossa conversa. Amanhã faria anos o Avó Gão. Mais uma vez está uma data tão importante no meio.

Ouvi a sua voz, tão próxima como há tanto tempo não a sentia, e decidi ir com tudo, como só você faria. 

Hoje é um dia com um sabor diferente, Um dia que marca um precedente. Envelhecemos mil anos nesse hiato de tempo. Sobrevivemos. Sonhamos. Sofremos. VENCEMOS! e somos!

Mil beijos das sua mãe que o adora,


Mami


sábado, 18 de outubro de 2025

18.10.2025 - One Day plus too many, or too few - Our B-Day, missing you


 Martim da minha Alma,


Hoje o Mano e eu fazemos anos. 

Eu, cinquenta e nove, ele, vinte e seis. Este ano, você faria trinta. Provavelmente já estaria casado e eu com um neto a caminho, ou talvez estivesse do outro lado do Mundo a viver o seu sonho. Não sabemos. Não saberemos nunca. 

Tenho uma dor imensa dentro de mim, uma dor que diariamente me rasga as entranhas. Já me habituei a ela, já sei que jamais me deixará. Mas ao lado dessa dor, confesso que a vida me tem envolvido. E nessa envolvência, me tem abraçado. Às vezes, esse abraço estrangula, porque nos põe à prova. 

Aprendi tanto, mas tanto nesta(s) V(v)ida(s), vividas de forma tão intensa, quanto fugaz, que nada e, acima de tudo, ninguém nos pertence.

Tudo é uma dádiva, algumas que perduram, outras tão efémeras como breves, instantes celebrados en nano-segundos de tão rápido que passam.

Lembro-me de um dia dezoito de Outubro perdido no tempo das minhas memórias, em que de manhã, na cantina improvisada da VWFS versão Alfragide, num escritório que cresceu connosco e com a visão de um visionário, ter olhado pela janela. E ter visto uma "Brasa", de mochila às costas. E de pensar, e de verbalizar isto ao Dany e ao Bruno, meus Manos terrenamente astrais:

- " Meu Deus, aquele miúdo parece o meu Filho Martim".

E uns segundos mais tarde, percebo que "aquele miúdo" não era parecido, era mesmo o MEU, que tinha vindo directamente do aeroporto, depois de sair de Barcelona de madrugada, para passar o meu dia de anos comigo, e o dia de anos do irmão dele com ele.

Retenho essa imagem como se de um tesouro se tratasse...

...toda eu sou EMOÇÃO!

12.10.2026. - One day plus 1532 - sobre a lei a sincronicidade

Meu adorado Filho, Na semana do meu aniversário, que este ano será redondo, ouvi um mocho ou uma coruja, hoje ao início da noite. E estava a...