Meu adorado Filho,
Já sabe do que lhe venho falar. Mais uma tarefa para si, mas esta, eu sei que vai adorar. Receba o Opa Freddy de braços abertos, e chame-o rapidamente. Sei que anseiam por se sentarem a uma mesa aí no Céu, e beberricando um copo de Planalto fresquinho, consigo a advogar com o avô para provar o Moscatel de Uva Roxa do tio Domingos, e o avô a dizer que nada substitui um tinto Alentejano, enquanto bebe Planalto aos tragos gulosos, discutem o que por aqui se passa.
Aqui passa-se muito. A Primavera chegou e trouxe-me mais paz. A minha cabeça continua una desgraça no que diz respeito à memória, cada dia estou pior, mas a médica diz para não pensar nisso, mas preocupa-me. É como se parte do meu cérebro estivesse amputado; contudo, as Dianas dão-me vida. A sua querida Filha, e minha adorada neta, distribui Amor por várias pessoas. Se cada pessoa soubesse o que significa para mim fazer uma Diana, acho que faria Dianas para o resto da vida.
Mas ontem a notícia do avô estar tão perto de si abalou-me ainda mais e veio ameaçar esta frágil e quebradiça superfície de tranquilidade! Foi um dia terrível. Deus lhe facilite a Caminhada, e que juntos em breve celebrem a Eternidade e me ajudem a secar as minhas lágrimas!
Combato a tristeza que teima em me invadir, com luta furiosa aos urtigões cá da Quinta. Embora a enxada seja feita para as mãos do Miguel, e o cabo do sacho seja mais alto do que eu, são excelentes utensílios para a mágoa, até porque as lágrimas saem em forma de suor. E ainda não lhe disse, a Cerejeira que plantámos, está a dar flor. Mas então declarei luta aos urtigões e vou limpar ainda o canteiro em frente ao tanque. Não sei o que seria de mim sem o campo, sem esta tranquilidade, com as luzes da cidade que abafam as estrelas, sem a minha Coruja, aka, Tim, que vem falar comigo sentada (ou sentado?) nos ramos dos medronheiros do jardim. A Coruja fala comigo nesta hora tardia, ouço-a daqui da janela do Atelier. Já sei o que me vem dizer, mas é tão bom ouvir as suas palavras através dela...a Foxie ressona ao meu lado aqui no atelier, está tão velhinha, mas ainda morde o cabo do aspirador em protesto canino contra os decibéis do mesmo!
Meu Filho, estou amputada, mas caminho. Caminho com Fé, caminho com Esperança no Universo, tento afastar os medos e as minhas lágrimas. Caminho consigo, sempre a falar comigo atrás do meu ombro direito. Será por sermos canhotos? Não sei.
Mas sinto-O. Caminho com esta nova tristeza pelo seu avô. Mas (CON/M)SIGO!
Filho, adoro-te!
Mil beijos da Mami

Pudera eu aliviar esse fardo que carregas e te embaciado os olhos, minha querida filha!
ResponderEliminarPudera eu aliviar-te de tanta dor, minha querida!
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