domingo, 3 de agosto de 2025

3.8.2025 - One Day plus 1098 - Falling in Love

 


Meu adorado Martim,

Comecemos pelo início, nesse pleonasmo mais-que-perfeito, traduzido em vontade de acção, num Tempo (in)temporal:

Perdi a Cobra da minha Havaiana branca, do pé esquerdo. Perdi-a em Bicas, Bocas, Bioucas roucas, rouxinóis padecendo de insónias em noite estivais, ou de Ocasos que acontecem, não por acaso, mas porque simplesmente são previsivelmente propositados! E dei por isso quando entrei no nosso "tanque", porque até a cor faz um "match" perfeito, tal como acontece no Loft. Perdi a Cobra. Que já não se vende online!

E como não podia deixar de ser, pedi-lhe um Sinal, enquanto rezava o responso ao meu Santo devoto, e prometia uma esmola a um pobre, e uma fortuna ao Universo, porque seria um sinal seu. Sei que ainda por cá esvoaça, de quando em vez, naquela nossa cumplicidade transcendental, e em ocasiões muito mais do que especiais, você aparece, dando-me um ar da sua Graça Divina! 

E, de facto, como que se de uma das nossas conversas se tratasse -  em que você era super crítico, e eu ficava furiosa, e me tentava defender, numa falácia de uma retórica gaga - encontrei...

...infelizmente não a bendita da Cobra, mas a parte de trás do meu travessão comprado no Colombo, caríssimo, mas com ar de "Made in China", que até me fez guardar o talão de compra, eu, eu que detesto papeis, e aí percebi que nem sempre os Sinais são os que queremos. Mas que me continuam a serem enviados.

Hoje quis tecer uma comparação entre o Verão da sua morte, ou Transformação, e o dia de hoje, calor tórrido que me convida à indolência, e procurei uma mensagem, com uma fotografia do IPMA, que lhe enviei no dia 28 de Julho de 2022.

...Curiosamente, não encontro essas nossas últimas conversas.

Mas encontrei todas as outras, as que eu considerava irremediavelmente perdidas, porque só deveriam ser recordadas no âmago da memória do meu coração. Muito mais no passado, num tempo em que nos desafiámos, nos defrontámos, e questionámos muita coisa, para nos (re)encontrarmos no Amor das nossas Almas, que eram tão, mas tão parecidas, a sua muito mais perfeita do que a minha!

Mil beijos da sua Mãe que o adora,


Mami!

sábado, 2 de agosto de 2025

2.8.2025 - One Day plus 1097 - "The part of me that's You will never die..."

 


Meu adorado Filho,

Tenho andado ausente daqui, embora presente noutros lugares, onde lhe continuo a descrever a minha Saudade, escrever sobre as minhas vivências e a transcrever tudo o que representa para mim a sua ausência física, num retrato mal desenhado da minha Alma. 

Mil e noventa e sete dias separam estas datas, três anos de uma Dor Maior, e também de uma aprendizagem: de aprender a (sobre)viver, a (re)viver, de alguma forma, pelos que cá estão, pelo que já partiu, por tudo o que partilhámos.

Lembro-me de TODOS, mas mesmo de todos os momentos, em flashes de memórias fotográficas, como que "snapshots" de uma vida que foi minha, e que já não é, neste Caminho tão íngreme, tão espinhoso e tão duro que tenho percorrido. Recordo a primeira vez em que, acabado de nascer, o puseram deitado, aninhado no meu peito, e de eu o abraçar e de enviar uma prece aos Céus pela benção que me tinha sido concedida! Lembro-me quando você mordeu o seu irmão, e de ter levado com pimenta na língua. Lembro-me das noites sem dormir, onde o Pai o embalava porque eu estava derreada, lembro-me de Praga, consigo minúsculo, lembro-me do seu desespero quando vendeu a "Anica" e reparou que lá tinha deixado o terço, aquele que neste dia fatídico estava entre as mãos do seu Pai, quando cheguei ao hospital, num hiato de tempo em que a minha Vida parou. Lembro-me de Barça e do que nos rimos, numa cumplicidade que nos fez perdoar um ao outro. Lembro-me do seu quarto pequenino, virado para o Saguão, mas tão querido e bem decorado, lembro-me da pandemia: de irmos de máscaras de snorkling à mercearia, e dos lautos almoços regados com Planalto, e ainda dos serões a ver a Guerra dos Tronos. Fomos tão cúmplices meu Filho adorado, que durante os primeiros longos e intermináveis meses depois da sua morte, você ficou comigo. Tantas demonstrações suas no milagre do Amor, aquele que me possibilitou sobreviver a um terror sem precedentes. Ainda hoje contei ao Bé partes dessa quase-morte, e lhe disse simplesmente isto: 

- "Ainda bem que já tenho quase sessenta anos, porque se tivesse de viver mais quarenta, as sequelas psicológicas com que fiquei iriam impossibilitar-me de ter uma vida "normal"!

Nem mil anos de psicoterapia, de mão dada com a psiquiatria me conseguiriam ajudar. Aquilo que eu passei não tem precedentes. E o que é uma vida normal?

Não lhe consigo explicar. Uma vida normal, é uma vida em que os que nos estão próximos nos ajudam a caminhar, porque nos dão Amor. Uma vida normal, é aquela em que já não nos desmanchamos a chorar a cada cinco minutos, mas conseguimos que as lágrimas caiam escondidas cá bem dentro do nosso coração, sempre semi-despedaçado. 

Uma Vida (com maiúscula) normal, é ver o seu irmão feliz e a continuar com a Vida dele. Ver o Futuro finalmente reflectido na esperança espelhada do seu olhar. E no amor, gratidão e orgulho que sinto por ele, ele, a minha outra Metade, que eu amo incondicionalmente, como o amo a si. Tenho tanta, mas tanta gratidão por tudo o que o seu irmão me dá! E é também o poder falar de si ao jantar sem vergonha das minhas lágrimas, com quem me compreende e respeita, e que, com esse amor, põe uma espécie de bálsamo na minha chaga diária!

Só quem passa por isto consegue entender a brutalidade desta dimensão imensurável de desgosto, de saudade rasgada no âmago da nossa Alma. Somos "Aliens": seres roubados de tudo o que nos mantinha vivos, zombies disfarçados de humanos, com a tristeza tatuada pelo corpo todo, pelo nosso interior, pelo mais recôndito do nosso ser.

E, contudo...

...agradecemos! 

A benção concedida, a vida que gerámos, o Anjo que oferecemos ao Céu. 

Três anos depois, recordo este dia - que nem de fatídico pode ser denominado, porque foi muito mais do que isso - em cada detalhe, em cada segundo em que fui obrigada a morrer. Mas até nesse dia que nunca pensei sequer que fosse castigada a ter que viver, tive a felicidade de ainda o ver com uma réstia de vida, um sopro insuflado, mas presente, que esperou por mim, para que, no e com o meu Amor de Mãe, se pudesse libertar.

Sou outra pessoa, outro Ser Humano, outra Entidade, neste hoje, neste dia dois de Agosto deste ano de Dois Mil e Vinte e Cinco. Morri...morri mil e noventa e sete vezes, morro todos os dias, para ressuscitar na manhã seguinte.

É neste Campo que encontro alguma forma de Paz. É neste Campo que amo, que voltei a ser capaz de amar, de agradecer, e, de certa forma (im)perfeita,

de voltar a viver. 

Meu Filho, minha Vida, meu Amor, a SAUDADE não limites, mas agradeço. Por tudo o que me foi dado, e também, por tudo o que me tem sido dado.

Mil beijos da sua Mãe que o ama,

Mami

quinta-feira, 8 de maio de 2025

8.5.2025 - One Day Plus... ? - Daqui a cinco dias é treze de Maio


 

Meu adorado Filho do ⭐️


Pairo. Sou. E nesse pairar do ser, deixo o meu ser pairar sobre o mundano. 

Este mundanismo efémero, de quem se preocupa com trivialidades humanas. Estamos acima. Você, a mais de mil quilómetros de Luz, eu a um metro. Mas acima. Voamos. Desta perspectiva “eagle eye” - trezentos e sessenta graus - nada nos escapa. Nem as omissões. Ou as confissões. Ambas polvilhadas com pequenas “Tell me lies, tell me sweet little lies”, porque o tempero é a base de tudo, nesta salada “Niçoise” de que é feita a vida e Stevie Nicks tinha uma voz única. 

Cantemos a uma só voz! Temos um novo Papa. Um, para lá da sua Vida, ou da sua morte. Hoje a minha vida deu mais um salto quântico na percepção do meu luto, este sentimento tão novo quanto já - infelizmente - habitual. O luto tem fases. Quatro, segundo Elisabeth Kubler-Ross, vinte, na minha escala.

“When life puts you through a tumbler, it's your choice whether you come out polished or crushed.”

Decidi vir polida, ainda mais do que a minha exímia educação. Brilho. Mas o meu brilho não é mais do que o reflexo da sua Luz! Encandeamos. Porque, tão como a Vida, aquela na sua plenitude vivida, não somos para todos, mas estamos para o Tudo!

Mil beijos da sua Mãe que o adora,

Mami

segunda-feira, 21 de abril de 2025

21.4.2025 - One day plus 982 - Iluminados!

 



Meu adorado Martim,


Cada vez menos acredito em coincidências. Penso que o Universo tem todo ele um significado, mas um significado que nos transcende, devido à sua dimensão imensurável. Quantos beijos "infinitos" mandámos em crianças? E o que é o Infinito? O que é esta Dimensão, paralela a uma Existência, que apenas alguns vislumbram, enquanto outros têm o privilégio de entrar? 

Escrevo-lhe precisamente um mês depois da nossa ªúltimaª conversa. Última por aqui, porque todos os dias tenho conversas consigo dentro do meu coração. Quis escrever-lhe ontem, para lhe contar o que foi mais uma Páscoa, mais uma sem si, mas com a mesma ternura de sempre. Talvez tenha sido a alegria do seu irmão perante os ovos encontrados, disputados neste espaço exíguo com o António, ou talvez a visita deste último, mostrando que até a pior das tragédias trouxe consigo um iniciar de uma doce tradição, ou mesmo a gratidão pelo anjo terreno que me enviou, ou ainda pelo facto da sua avó estar viva, embora esta Páscoa não connosco, e ainda mais pelo incrível almoço de cumplicidade que tive com o seu irmão, emersos da dor e das preocupações, imersos no Amor que nos une, submersos na conversa em que eu tentei entender conceitos que me ultrapassam! Sei que por tudo isto ontem acabei por não lhe transcrever esta nossa carta.

Acordei para mais um dia de trabalho, e também para um dia muito triste. Morreu o Papa Francisco. 

Morreu hoje um grande Ser Humano. 

Não tenho os conhecimentos necessários de Teologias para julgar se foi ou não um bom Papa. Nem preciso. Tenho os conhecimentos necessários enquanto pessoa, para saber que hoje morreu um Ser muito especial. Um homem que era fiel à célebre parangona do “walk your talk”, tão fiel que não usava Louboutins. Não precisava, caminhava descalço, de coração nas mãos, levado apenas pelo Amor, na sua humanidade e no seu humanismo. 

Foi o Papa que aterrou em Lisboa precisamente um ano depois do dia em que ovocê, meu Filho celestial, morreu, quase à mesma hora. Desde aí, sempre achei que era um Papa especial para mim. 

Trouxe-me de novo à Fé, de coração totalmente entregue, aquele dom de acreditar e, com isso, de caminhar. Ontem quando o vi a desejar Boa Páscoa comovi-me, tão frágil, e contudo, tão forte, na força (de vontade) que permitiu que - ofegante - desse a Benção ao Mundo, numa das datas mais importantes do calendário cristão. Uma última vez. Como se de (mais) uma premonição se tratasse. Ontem também os Cristãos Ortodoxos celebraram o domingo de Páscoa. Não acontecia há mais de mil anos uma coincidência de datas, destas “religiões”. Foi como que uma “União” de Credos. Viveu a Páscoa, e morreu um dia depois de celebrarmos a Ressurreição de Cristo. 

Só isto reflecte a imensidão deste Ser, tão humano, como espiritual. Há pessoas que contêm em si a centelha do Divino. São as que morrem com um significado, e com um propósito: o Céu precisa de Anjos (e de Santos), independentemente da sua idade! 🙏💫⭐️

Tenho a certeza de que os seus braços o acolheram, e que agora é que vai ser, aí no Céu. Você faz milagres, até rejuvenescer um Papa. Acredito que todos Vocês são Seres de Luz. Talvez sejam uma Fusão de Seres de Luz, num Arco-Íris perfeito, todos vocês por quem choramos. Não sei. 

Mas uma coisa aprendi com a sua morte, com a sua Subida, com a sua Passagem: é possível, nem que seja que por meros instantes, largar as amarras do terreno, algemas agrilhoadas na imutação, que nos remetem para o fundo e nos impedem de voar, numas asas aladas, esvoaçadas num paralelo riscado e rabiscado a azul, no horizonte do Céu. 

Esquecer as questiúnculas, as vaidades, a soberba, a inveja, o ciúme, e VOAR. Porque não é "aqui" que reside a verdadeira Vida. É no AQUI. Neste momento em que somos unos com o Cosmos.

Cada vez o sinto mais longe, e nessa distância que não tem forma de ser medida, sinto-o cada vez mais perto. Sinto-o ao lado do Divino, e na Vossa Complacência, olharem para nós, humanos, e sorrirem.

Francisco saiu do hospital e contra tudo e contra todos, escolheu o Domingo de Páscoa para abençoar a Humanidade. Umas horas depois, morria. Ou vivia. Para a Eternidade, porque, enquanto houver memória, irá entrar para a História como o Franciscano, ou o Papa que se recusou a usar Louboutins.

Mil beijos da sua Mãe que o adora,

Mami


sábado, 22 de março de 2025

...too long ago, too far apart...20.7.2022 - Musings on retrospectives a dia 21.3.2025


 


Meu adorado Filho,

Não tenho transcrito os nosso diálogos, porque em duas ou três semanas, podem acontecer séculos de acontecimentos. Tanto (in)esperados como inusitados. Acontecimentos que nos catapultam no tempo, para um Tempo em que vivíamos tempos diferentes. O Mundo avançou naqueles saltos quânticos, tanta coisa aconteceu, mas algo permanece imutável, no calmo, conquanto frenético decorrer dos minutos dos dias, onde os segundos foram cristalizados em momentos fugazes. E essa imutabilidade é o timbre da sua voz. Guardado no meu telemóvel como se de um tesouro se tratasse, está gravada a sua última mensagem de voz, neste cofre-forte electrónico, decorado com uma maçã nas suas costas. Termina com:

- "Adoro-te", essa palavra mágica, que transcreve tudo aquilo que nos uniu, tudo aquilo que nos une.

Falando de novidades, o Loft vai tomando forma a um ritmo de caracol, que desafia a minha paciência, enquanto, simultaneamente, brinca com a minha visão criativa, positivismo de "make it happen" de mãos dadas com um amadorismo decorativo de quem quer ser um "Drew Pritchard" versão Tuga, vasculhando velharias, tesouros e cacarejos no Senhor Ramiro.

As datas são o que são, e mesmo a mais promissora, a milagrosa, a que assinala(ria) o início do fim deste martírio, foi cancelada. Não há palavras para descrever a desilusão, o desgosto e a tristeza que me assolaram depois de ver  adiada a data - tão, mas tão ansiada - do julgamento. Depois de me ver confrontada com informações que sempre não quis saber. O Universo continua a por-me à prova, na sua infindável crueldade, e, conquanto, há quem esteja bem pior.

Hoje (re)vivi aqueles últimos segundos, eternizados em minutos, perpetuados na minha memória todos os dias, o dia em que o abracei pela última vez, e também aquele em que me vi forçada a despedir de si, numa dor e numa angústia inenarráveis, momentos que me transformaram, num átomo de Tempo, noutra pessoa. 

E hoje sou eu, colagem de memórias cuja fita-cola já começa a amarelecer com o tempo, um ser que aprendeu a (re)conhecer, por entre alguns traços dos quais mal me lembro, numa reminiscência esquecida de um passado longínquo, traços que procuro recordar. Foram mil anos e um pouco mais de meio século, um tempo que nunca me pertenceu, mas do qual me sonhei Senhora. Infelizmente, o Tempo não nos pertence, vivamos o presente enquanto dádiva.

Meu Filho, a Primavera deste ano chegou a chorar, em torrentes de água que fazem dos riachos rios, e das poças lagos, mas mesmo no meio destas lágrimas da Natureza, o campo quer rebentar numa profusão de flores brancas, amarelas e lilases.

Dói-me o joelho, cansado desta caminhada extenuante, e estou preocupada, porque se não me locomovo, não sobrevivo.

É tarde, tenho uma cascata de palavras para lhe sussurrar, plenas de saudades, mas também de Amor.

Mil beijos da sua Mãe que o adora,


Mami









quinta-feira, 6 de março de 2025

5.3.2025 - One Day plus 947! taaaaaanto tempo, tudo igual!


 



Meu adorado Filho,

Já não vale a pena contar os dias, neste Ábaco, no e do qual - em todos e em cada um deles - eu retiro do esconderijo do âmago da minha Alma, enquanto mexo e remexo as suas contas multicores, uma Esperança de uma matemática que se quer pronunciada, numa equação mal calculada, mas que nunca, nunca passa a prova dos Nove. 

Meu Filho...tanto lhe poderia escrever. Talvez apenas uma breve nota:

"Eu sei que vamos estar para sempre juntos,

e a nossa despedida não quer dizer adeus,

e quando precisares de mim eu juro,

juro por Deus,

onde estiveres também estou eu!"

Tudo se pode dizer: ou se gosta, ou não, mas esta letra tem muito que se lhe diga, quanto muito para nós, pais órfãos de Filhos roubados, progenitores de criaturas divinas, cruzando o limiar da su(realidade), com um "r" suRRipiado, como a letra do meio, ali bem do centro,  do verbo que também me ressoa com aquele que me coRRói as entranhas! 

Martim, meu Filho,...nunca, por nunca esquecido, quanto menos por mim, aqui, onde a saudade me carrega nas suas asas negras! Há uns dias tive um sonho lindo, repleto dos nosso diálogos. Pela primeira vez em muitas Luas, acordei feliz. Naquele limbo que descansa, num pairar indolente e preguiçoso entre a inocência do sono e a culpa do despertar, tudo tinha voltado "ao normal". 

Falávamos, e você estava "cá"! Fazíamos planos, discutíamos pormenores dentro do "pormaior" que era a nossa convivência!

Mas foi apenas um "breve" e tão grávido instante eternizado num significado de um sonho milagroso! Entrego a minha Alma ao Céu, em busca de uma Paz que me escapa neste quotidiano forçado, onde (sobre)vivo em honra das nossas recordações, numa violentação constante do meu Espírito, transcendente que busco incessantemente numa procura (in)finita!

Vamos a isto Filho...vamos a isto!

Que algo nos faça querer ficar...neste Aqui e neste Agora, num Tempo sem tempo, porque intemporal, salto quântico no ritmo universal, onde não sabemos onde ficou o princípio, mas do qual sabemos o meio, mas nunca, nunca o Fim!

Que seja um epílogo pleno de Amor!

Mil beijos da sua Mãe que o ama,

Mami! 





sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

14.02.2025 - One Day plus 928 - (In)Sanity) ;-)

 



Meu adorado Filho,

Nem sei por onde começar. 

Tenho-lhe escrito, ou talvez transcrito - apenas mentalmente - as nossas conversas, numa procrastinação preguiçosa, ao longo de vergonhosos e miseráveis cinquenta e oito dias, nos quais no todo, e em cada um, me tem faltado a coragem, após mais um dia de trabalho insano, de pegar no meu querido Mac e de lhe escrever.

Na triste e soturna realidade em que se tornou a nossa "Lisboa" - e já lhe irei contar sobre isso - numa cada vez maior loucura de trabalho, vivido num manicómio de símios meios tresloucados, pouco do meu cérebro tem tido ainda alguma réstia de sanidade e, sobretudo, de tenacidade, para encontrar as forças para lhe escrever, porque é muito, mas muito mais fácil "falar" consigo aqui do fundo do meu coração, onde não tenho de esforçar a minha voz, uma vez que os meus diálogos consigo são sussurrados em tom mesmo muito baixinho, no canto mais recôndito do músculo que (ainda) bate no meu peito, do que pegar em mais um teclado para "verbalizar", conquanto em tom emudecido, tudo o que lhe quero dizer, tudo o que lhe quero contar, tudo o que lhe quero confessar.

Em retrospectiva, passámos um Natal diferente, porque de Paz. Juntámos as gerações, os meus, os teus e os nossos (Sonhos), e fizemos acontecer. 

Assámos um perú, que esteve de molho dentro da mala do Ibiza, porque, do alto dos seus cinco (para a Oma aldrabados seis quilos), não caberia jamais neste frigorífico, nem que acontecesse um milagre natalício. Pedimos uma tábua emprestada ao Senhor Ramiro, e com um estrado de cama, e uns pés de metal do Covil, "improvisámos" uma mesa natalícia onde não - e sobretudo - faltou o AMOR! Foi um Natal de Paz, de sorrisos, de gargalhadas, de boa disposição. 

Seguiu-se a passagem de ano, tudo o que eu tinha sonhado, numa simplicidade vivida e renascida numa alegre Casinha situada no Campo. Vieram os Amigos de Belas, e foi tão, mas tão divertido! É bom sentir-me acolhida e protegida nesta extensão do "Espelho" de quem sou.

Janeiro entrou com aquele ar gelado do mês mais frio do Zodíaco, com mil e uma peripécias sobre as quais não vale a pena falar, porque cristalizadas num floco congelado sem qualquer significado para além de nos infernizar e amargurar a (nova) vida. Mas até Janeiro tem os seus dias contados, trinta e uma (des)venturas, e eis que estamos em Fevereiro.

Os dias cresceram, numa luta vencedora contra a noite, numa batalha pela Luz, aquela que queremos nas nossas existências, sejam elas mais longas ou mais curtas, desde que tenham significado. E como o Santo, o São Valentim sem a comercialização e o consumismo associados, aquele Santo santificado que entende o que é o Amor - e perder um Filho sem morrermos, é um acto desse mesmo AMOR - achou que já tinha "saudades" - aquele sentimento constante que nem vale a pena descrever mais uma vez, porque só os Orfãos de Filhos entendem - e mandou-me mais um Sinal seu.

E neste dia do Amor, eu, mais uma, vez agradeço. Agradeço por - novecentos e vinte e oito dias depois, continuar a ser sua Mãe, agora já não apenas na Terra, mas - sobretudo - no Céu! Agradeço por tudo o que me trouxe, seja no milagre da Paz que finalmente me invade, seja pela força que sinto pela coragem que tive em abraçar - mais uma vez - a solidão do Desconhecido, sem medo, sem receio, sem pânico, porque eu sei que toda eu sou...COSMOS!

Sou PAZ e sou GRATIDÃO, toda eu, e com isto me consigo (e)levar.

Entre uma Lisboa que nos mete medo quando andamos de Metro(politano) com audácia, mas também com desilusão relativamente à minoria que agora representamos, e um Campo pelo qual lutamos ferozmente pelo nosso (justo) Lugar, SOMOS!

E continuamos nesta Caminhada. Você, eu, e todos aqueles que levamos no nosso coração. 

Vivi mil Vidas, ou vidas, depende da perspectiva. Prefiro o copo meio cheio: fiquemos por Vidas. Sou privilegiada: vivo entre, dentro, e nos dois planos. Sou PONTE, sou Mãe, sou a Ana, e...sobretudo...

sou GRATA!

Meu Filho, tinha tantas, mas tantas e ainda tantas saudades de um sinal seu, que nem sei como lhe agradecer este seu presente...Você escolhe os dias do calendário com a "souplesse" que sempre o caracterizou! 

Martim...

...My Funny Valentine!

ADORO-TE!

Mil beijos da sua Mãe que o adora,

Mami


05.03.2026 - O ano do Cavalo (de Fogo) - parámos a contagem!

Meu Filho tão querido, Muitas Luas passaram desde que lhe escrevi pelo última vez. Contudo, menos, muito menos do que as noites de insónia. ...