Meu Filho, meu Amor querido,
Quando acabar de escrever, por entre as lágrimas que me correm livremente e sem vergonha, rasgando mais uns sulcos no meu rosto cansado e envelhecido em mil anos, já terá passado dia 2! Esse maldito número, que me atormenta os dias e me desassossega as noites! Tanta, mas tanta, tanta SAUDADE, tanta perplexidade por esta atrocidade que me desfaz as entranhas! Mal abro os olhos, todos os dias, ofereço o meu sofrimento, e a minha tristeza, num sacrifício perpétuo, por um Mundo melhor, por mais Amor entre as pessoas, e dou Graças por ser abençoada, porque sou sua Mãe. Mas há (muitos) dias em que essa oferenda não chega para me consolar a Alma...
Não se assuste meu Amor, eu não desisto. Por entre as cinzas do quotidiano da minha existência, há vestidinhos de flores e a Diana a correr pela Quinta fora, totós ao vento, aos gritos pela Branquinha e pela Preta, de esfregona em punho, a afastar os patos do tanque, porque quer dar um mergulho em paz.
E com a Diana, eu mergulho numa certa Paz, e atiro-me, sem medo e com toda a minha Fé, para o azul do tanque - ou será do Céu? - numa promessa mentirosa de um futuro que não irá acontecer, porque nos foi roubado! Mas enquanto as Dianas estão descalças e (ainda) desmembradas, elas ganham vida no imaginário da minha mente, correndo, saltitando, por entre gritos contentes e sorrisos polvilhados de gargalhadas, trazendo Vida onde a morte quer ganhar terreno. Não vencerá. O Amor, essa magia alquímica e incrivelmente poderosa, irá vencer as trevas do nihil, seja lá por onde der, porque a Diana é a Menina de olhos expressivos e plena de fome de viver. Ela é NOSSA! E é nesse altar de oferendas, nesse sacrifício diário, nesse AMOR que irá vencer, que eu nos recordo, revejo e revivo, em cada átomo de memória, em cada ponto cruzado, encruzilhada de vidas despedaçadas, onde impera o dever de nos reinventarmos pelos outros. Pelos que amamos e que bebem da nossa fonte, que precisam que este caco oco se recolha, se reinvente, e (se) recrie e renasça, porque "Ele(s)" precisa(m) de nós!
Meu Filho, minha Luz...
"It's overnight"...
Meu Martim, minha Vida roubada, meu Menino, meu Filho tão querido, estou, estamos, estaremos cá. Em parceria e em sintonia desafinada com o Céu, lá vamos comunicando. E a propósito...num fado (des)afinado, talvez devido ao frio, "ela" voltou. A minha Coruja. Ontem falou, falou, falou e voltou a falar comigo. Contou-me muitas coisas, e já percebi que isso aí em cima é uma espécie de "Movida" especial. Não a de Barcelona, mas idêntica…
Hei-de voltar ao Myan, a Calle Valencia, e ao El Sur. Irei percorrer essas ruelas e a cada passada arrastada conquanto dançada, recordar. A cada esquina virada, a cada quarteirão revivido, em passo descompassado e ávido, a cada átomo de memória, com os pés em chaga, irei escolher os sapatinhos das minhas...
...Princesas descalças, da(s) minha(s)...
DIANA(s)!
Amo-te meu Amor...
Mami
P.S. O Bruno passa por cá amanhã! Tão, mas tão bom ter por cá um dos ÉPICOS-mor!!!!

Tal como escrevi ontem, cada dia que passa, fico mais oca e com o coração a rebentar de saudades. Como te entendo minha filha!!! Consegues escrever exactamente o que sinto. Falta-me a arte!
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