Tim...
...Este é o dia que mais me está a custar. Estou de costas para a lareira, a tentar aquecer um pouco nesta noite gelada! Tim, o seu sorriso, o toque da sua pele, o seu abraço, o seu: "ÉPICO Mãe", fazem-me falta, muita falta e transformam a minha Alma, ou o que resta dela, num icebergue, onde nem Fahrenheit, nem Celsius sobrevivem!
Cada vez mais me refugio no nosso Mundo, o do diálogo silencioso, ou, o do silêncio dos diálogos: é aqui que me sinto bem. É aqui que comunicamos, fora todas as outras horas do dia, em que converso consigo sem escrever, num silêncio, cujo grito mudo, me abafa o coração. Sabe lá o Mundo o que eu sinto! Nem fazem uma pequena ideia! Deste purgatório terreno, onde não ficou pedra sobre pedra. Onde não existem memórias sem si, nesta distância milenar entre a Felicidade e a morte em vida.
Fui à capelinha do Espírito Santo e falei consigo, um bocado a correr, porque não queria que me vissem as lágrimas, ou o arfar sacudido dos ombros, nestes soluços que me afogam. E depois pensei, quão triste é a sociedade, seja no campo ou na cidade, onde uma Mãe não se sente à vontade para expressar a sua dor, porque incomoda os outros.
Hoje fui cortar o cabelo e pensei, sinceramente, em o rapar a pente zero. Se não posso, ou não devo chorar quando me apetece, então rapo o cabelo, assim já não posso chocar mais o Mundo dos vivos. Mas depois pensei que seria demasiado para os Outros. Talvez um dia, em breve. o faça, e em cada mecha, se vertam mil lágrimas, num oceano sem praia, sem conchas ou búzios.
O seu sorriso pisca-me do além e envia-me mil e uma mensagens. Esse sorriso maravilhoso, de uma generosidade imensa, contagiante, sempre pronto para todos, rasgado, desenhado na perfeição, único na inocência do rosto que ilumina. Ah caramba Tim, Deus ou o Universo, leva sempre os melhores, num egoísmo generoso, ou antes, numa generosidade egoísta, que rouba ao individual, para dar ao omnipresente colectivo. E esse colectivo nem sonha o preço que pagamos, nós, os pais dos seres Iluminados, para que mais um Anjo suba aos Céus para ajudar esta Humanidade perene e limitada!
Tim...não sei como vou sobreviver ao fim do ano de dois mil e vinte e dois. Como vou passar o dia vinte e quatro, e um mês depois, o Natal. Vejo crianças e lembro-me de si, meu Menino Jesus, e desse Natal ÉPICO, em Munique, com a Oma, a nossa Rocha inabalável, que me tem sustido, suportado, e no seu amor, mantido viva! Viva, soit disant, que eu não sou mais do que um aglomerado de memórias, e uma soma de sentidos do dever. Sou um Ser Humano a quem roubaram parte da identidade, da razão de ser, e não existe nada pior, que não sabermos quem fomos, somos, e muito menos, seremos, num futuro que já não é desenhado, mas apenas rabiscado, em traços imperfeitos, que o tempo acabará por apagar?
"Take me to the other side, where our different Worlds collide, into LOVE!"
Amo-te meu Amor!
P.S. Vou tentar dormir...ao menos amanhã, este dia já terá passado, conquanto esta dor permaneça!
Minha querida. Deus não me concedeu o dom de escrever como tu tão bem o fazes. Não sei, nem consigo encontrar palavras para, pelo menos tentar aquietar um pouco a tua alma tão ferida! Só sei dizer-te que estou cá!
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