Meu adorado Filho,
Dezembro chegou!
Duas menos vinte, um frio de rachar, e eu à lareira.
Depois do pesadelo das últimas semanas, têm sido dias mais apaziguadores e apaziguados, numa trégua pincelada de branco, muito embora desenhada com muitas e grossas listas de cinzas plúmbeos, como o céu que hoje parecia que queria desabar! Divido-me entre o desespero de não o voltar a ver, abraçar, afagar as ondas do seu cabelo, coçar as suas costas no meu consolo de amor de Mãe nos momentos desafiadores da sua breve Vida, de ouvir a sua voz, e a (ténue) constatação de que a vida continua, por enquanto (e penso que para sempre, com minúscula), mas continua, num decorrer dos dias, na chuva, no sol, nas flores de princípio de Inverno, na natureza que aqui, neste pequeno Paraíso, se sente.
Meu Filho, escrevo-lhe hoje em Paz. E esta Paz que sinto, que se propaga ao meu corpo, ao meu espírito e, acima de tudo, à minha Alma, é um bálsamo, suave como uma carícia divina, que só poderia ser sua, e que me acalma o caminho. Os espinhos são hoje musgo: suave, húmido e fresco, verde-escuro, pintalgado de amarelo com salpicos de castanho, como o que apanhávamos com o Pai em Sintra, quando vocês eram crianças, para enfeitarmos o Presépio. E como este Advento é diferente, em vez de dia 7, vou começar hoje, dia 1. É a mesma coisa que com o perú, que, também este ano, vai dar lugar à inovação do leitão: Já comecei a decorar a casa. Já pus o "Adventskranz" - e estamos mega ecológicos - este ano é a pilhas, da IKEA, para não se cortarem árvores, mas as velas são verdadeiras.
Só não abdico de uma coisa: inalterável, imutável, perpetuada no tempo sem fim do Amor: Do Presépio! Já decidimos qual o sítio, local, âncora, e aí ficará enquanto eu for viva, a todos os dias Um de Dezembro, véspera do dia em que faz quatro meses de que você subiu para outro plano, e se tornou Estrela, como as que brilham incansavelmente neste céu único do campo!
Está um frio de rachar lá fora Tim, e quentinho cá dentro, como se centenas de salamandras e milhares de lareiras brilhassem, à disputa de um fogo (fátuo), mas que na sua efémera chama, ilumina, aquece e derrete o gelo da solidão, o desespero da tristeza, o desgosto da ausência!
Ahhhhh Tim, esta sensação é um sonho, um átomo de maravilha, um nanossegundo de Felicidade: é a realização de um ínfimo de aceitação. Mas é esse ínfimo, esse pequeno, enorme, gigantesco milagre, que me mostra que há um Caminho, nem sempre com espinhos, porque existe e nasce o musgo, tapete de pétalas sob os nossos pés, tão doridos, tão cansados, tão massacrados, tão sofridos, mas...
...que caminham!
Com todo o meu Amor (e a minha gratidão)
Mami

♡
ResponderEliminarDe tão linda esta conversa com o seu menino Tim, a tia não sente que deva comentar. Nela encerra todo o amor, dor, ausência desse menino querido que nos deixou. Apenas um beijo enorme querida. Ele que brilha no nosso céu e com muito mais luz no céu saberá falar-lhe numa conversa de amor só vossa. ❤️❤️
ResponderEliminarObrigada Tia querida! Só peço Paz neste meu coração dilacerado pela dor!
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