Meu Adorado Filho,
É triste, muito triste, quando temos de esconder as nossa lágrimas. Quando, para os outros, as nossas lágrimas são "ridículas", porque a vida deles continua. Continua sim, para eles. Mas para nós, o desgosto não tem fim. A morte rodeia-me sem dó nem piedade. Depois de si, o Opa, e agora a Foxie. Eu sei, não é mais do que um cão, mas é a minha companheira, a nossa Foxie deixou já de comer. Aninha-se no meu colo e encosta o focinho ao meu peito e sente-se que esse aconchego a alivia.
Tim...já não tenho força. Não há amanhã que me valha, no ontem onde fiquei presa, nas memórias, nas recordações, na saudade.
Ante-ontem foi um dia menos mau: a Doutora Ana Carolina tem sempre um sorriso que me encoraja, um ouvido que me escuta sem julgar, um carinho incrível. Ofereci-lhe uma Diana que acho parecida com ela, tem flores no cabelo, e um vestido de Primavera. Hesitei, porque não a queria ofender com um presente tão pessoal, mas ela entendeu, porque é uma pessoa iluminada. Quando vou falar com ela, saio cheia de força, mas que depressa se dissipa perante esta adversidade sem fim. Precisava dela vinte e quatro sobre vinte e quatro para me abraçar, para me dizer que me entende, que entende esta dor dilacerante que me rasga tudo, que me mata e me destrói mais ainda. Mas não posso, porque somos a nossa própria circunstância. Martim...meu Amor, meu Filho, minha saudade, leva-me contigo. Abre os braços para mim e envolve-me na tua eternidade, leva-me meu Amor.
Não AGUENTO tanta dor, tanta perda, tanto desgosto! Estou cá pelo Mano, e só por ele. E pela Oma, coitadinha, que bem merece, mas só por eles. Mas em dias como o de hoje, quem me dera (re)encontrá-lo a si, sentir o seu abraço, a sua pele, a sua voz. Filho, a saudade mata-me. Rasga-me, aniquila-me, e ainda nem tive a coragem de chorar o seu avô. Não posso, senão morro, e não posso, porque o Mano precisa de mim. Mas Tim...não tenho mais força. Não posso mais meu Filho. Não aguento. Cheguei ao limite.
Tim...estou sem rumo, sem Norte, sem bússola, sem Porto de Abrigo. Estou cansada de chorar, de perder afectos, de desgosto. Não posso mais Filho! De quantas lágrimas se faz um luto? Filho, só quero um abraço, um aconchego!
Filho...ando sem rumo, sem destino, sem Norte...ando à deriva, ando à sua procura numa busca incessante de algo que não tem resposta, num desgosto sem fim!
Martim...meu Filho, minha Vida, meu Amor, vou tentar. Prometo que fico pelos que precisam de mim, mas...
...mas e num sussurro só nosso confesso,
...leva-me contigo! Seja de que forma for, leva-me...
...Contigo!
Amo-te meu Amor, minha Vida interrompida, meu filho, meu Amor...
Tim...
Com todo o meu amor infinito,
Mami

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