Martim da minha Alma,
Parte-se-me o coração, quando vejo há quanto tempo não lhe escrevo. Mostra-me o quão grata posso estar à voracidade da vida. Esfaimada, faminta na ânsia da sua fome desmesurada, ela engole-nos, suga-nos para o seu vórtice e centrifuga-nos a mil e quatrocentas rotações por minuto.
Estamos. Somos.Vivemos. Ao fim de dois meses e meio ainda não temos casa, uma mísera casa de banho de seis metros quadrados. Mas a Fé não nos abandona. Tenho saudades do seu Altar, da cozinha, de comida “home-made”, naquele experimentalismo que nos caracteriza. É bom escrever no plural, e também no Presente - essa eterna dádiva - do Indicativo. (Ante)vejo futuro, e netos. Dói-me o pescoço como o raio, tenho noites mal dormidas, muito mal dormidas, mas continuo. Sempre com Alegria.
Meu Filho querido, jamais esquecido, todos os dias o sinto na minha Dor Maior. Mas também já o consigo celebrar no Suavizar do Luto.
Que Caminho…que oceano de lágrimas, que sofrimento…
Mas também quanta, mas quanta Gratidão!
Mil beijos da sua Māe que o adora,
Mami
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