Boa noite, Bicho do meu coração, meu Tim, meu Filho adorado,
Cheguei agora a casa, depois de um dia...
...ÉPICO!
(E leia-se Épico mais do que em maiúsculas: aos berros, de sorriso gigantesco, rasgado, honesto, temperado com maresia e polvilhado de sol e de sal)!
Um dia pleno de emoção, de carinho e de amor! Um dia de TUDO e de TODOS! Com TUDO e com TODOS, como só você conseguiria juntar!
Você iria adorar. Iria, não, adorou, pois esteve connosco. Foi um dia de...
...AMOR!
Meu adorado Filho, não tenho palavras. A emoção invade cada um e todos os triliões dos meus poros, e enche-me o coração, a gratidão inunda-me a Alma e, uma vez mais, sinto-me abençoada. Por tudo e por mais alguma coisa. Mas acima de tudo, por ter o privilégio de ser sua Mãe, no presente do indicativo, e juntamente com o Pai, de o ter educado nos princípios que marcaram a sua (breve) e, contudo, tão marcante Vida terrena.
A semente do Amor que você plantou, nos poucos anos em que viveu entre nós, dá frutos, e estes colhem-se todos os dias. E hoje foi um dia de colheita. O António e a Concha organizaram uma missa no Baleal, e um almoço em casa deles. Quando transpus a ombreira da porta, percebi de imediato, porque é que você gostava tanto daquela casa, precisamente porque se respira Amor. Percebo também porque a enorme, gigantesca, grande família dos "Martims" existe. Somos muitos Tim, todos consigo, por si e em si. Porque somos Mosqueteiros, defensores do Amor; a única razão de ser da existência humana, num desiderato breve, mas primordial.
Sorri ao ouvir o Padre dizer na missa, que o Tempo não tem Tempo, aí, onde você está e pensei:
- "Será que ele leu as nossas cartas?"
Claro que o Tempo não tem tempo, muito menos Espaço, nesta Eternidade, neste nicho (res)guardado, segredo escondido onde nos (re)encontramos, sempre que lhe escrevo! Finalmente alguém entende, ou verbaliza aquilo que sinto, um Espaço (in)temporal, cristalizado num aqui e num agora eternos, ponte entre margens onde nos tocamos, você e eu, hoje e sempre, num quotidiano só nosso, onde o corpo físico se funde no etéreo das Almas, porque nós dois seremos sempre Mãe e Filho, naquela união só nossa, única, umbilical e atávica!
Tim...foi preciso você partir para eu retornar ao mar, mergulhar naquele sal cristalino, nas ondas de água gelada, e com isso, lavar as minhas mágoas, os meus anseios e os meus terrores. Foi preciso você ir-se embora, para que o Amor unisse o (nosso) Mundo, com as "suas" pessoas, como que esses encontros fossem desenhados a tinta-da-china, num traço impreciso, mas gravado na memória de cada um e de todos nós, tatuados na Alma colectiva de todos os que o amam. Dizia-me o Fred hoje, que achava que a Vida tinha melhorado. Não acho, tenho a certeza. Há o seu toque de Anjo em tudo, em todos nós, há um "make it happen" que não vem daqui. Vem daí. É o seu toque mágico, o toque do Amor.
Tim...
...tenho tantas, mas tantas, tantas saudades suas, neste vazio enorme, e conquanto, num pleno infinito tão cheio de Alma, num coração repleto de sementes de Amor, as que você deixou, que não sei bem qual a melhor forma de me articular. Estou inundada de tristeza, de saudade, de mágoa, mas acima de tudo, plena, transbordante de AMOR! Aquele que você partilha, polvilha e semeia entre nós, todos os dias, em cada memória, em cada segundo, em cada gesto, em cada:
- "Credo Mãe, a Mãe não existe!"
Esse Amor inunda-me, transborda, transvasa, e com isso, consola!
Tim...
Dois meses "sem" si no plano físico, e, contudo, cheios de si no plano sideral, etéreo e (e)terno, memórias nossas, suas, minhas, de todos. Você esteve hoje connosco naquela varanda sobre o mar, no casco de sapateira, nos queijos, nos enchidos, na feijoada, no ananás, no melão e nos doces. Era a sua Alma ali, debaixo do Sol, ao sabor da maresia, temperada com o sal do Amor e o açúcar da Existência!
...TIM...
Dois meses...
...dois meses de "Mais Amor por Favor?"
Dois meses de Todos, com Tudo, com Saudade, mas acima de tudo com...
AMOR!
Tim, dois meses que parecem uma vida, de tão dolorosos que têm sido, e ao mesmo tempo, tão plenos de memórias, tão cheios de si, em todos os nanossegundos que os marcaram! Dois meses de agonia, de saudade, e, conquanto, de significado, porque a sua Vida foi plena, transbordante de ânsia, de Amor! Uma Vida cheia, uma herança, um legado, uma ode a tudo o que o Ser Humano pode almejar. Há uma essência de Anjo em si...
Mande uns "pozinhos" disso cá para baixo se faz favor!
Beijo cheio disso tudo da sua Mãe que o adora!
Mami

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