domingo, 22 de janeiro de 2023

22.1.2023 - One Day minus 173 - (dias), somados à Saudade e subtraídos à Felicidade, multiplicados por Amor, a dividir por si e por mim!

 



Bicho,

22.1.2023...

...há parecença nos números, são também 173 dias sem si, voltamos ao 7, e agora ouço-o a rir a bandeiras despregadas. 

Interrompi a costura, e nem sei o que lhe diga, pairei entre o ontem do ontem, e o amanhã de hoje, até às seis e catorze "matutinas", a criar, pensava eu, uma obra prima de aprendiza, quando, com orgulho apressado, vou buscar o interior da dita, o miolo, o umbigo, feito de penas de uma almofada alemã que decidi reciclar, para triunfalmente celebrar que sabia costurar, e ao levá-lo ao encontro do ventre daquela fronha suada, (re)costurada, misturada com uma merecida pausa para mais uma carta para o meu Anjo, temperada com o consolo de umas bolachas Maria seriam umas quatro e meia da manhã, constato, com inconsolável desgosto, que sobravam trinta e sete centímetros de fronha. Trinta e sete centímetros de erros de quem persiste.

Bom, acho que na métrica da minha vida, seriam sete metros e trinta e sete centímetros de erros bem medidos, alinhavados de arrependimento, numa aprendizagem cortada a esmero, mas de resultado positivo, naquela matemática que só na minha cabeça funciona, e onde a Prova dos Nove bate  sempre certa! 

Noves fora Nada...e do Nada temos de reconstruir a melhor miragem do Tudo, para que o Universo bata certo. Ou será que é do Nada que tenho de reconstruir o Universo, na procura incessante do (meu) Tudo? Bruno Mars e as nossas cançonetas desafinadas, trauteadas entre sorrisos cúmplices, no regressar de almoços de peixinho grelhado, e tantas, tantas, mais mil e oitenta e uma memórias! 

Quando eu era pequenina, guardava oitenta e um, mais mil beijinhos, numa caixa de pastilhas Valda, que a Zézé tinha encontrado no meio de mais mil e uma "quitandas" que faziam as delícias da sua gaveta secreta, e que me ofereceu quando fui de férias para casa do Opa. Para que a Oma, a Tiá, a Zézé, a Avó Lourdes e a Tia Taxa, rebaptizada por si de Tátá umas décadas depois, pudessem lá ir buscar um beijinho meu, daqueles repenicados, mas sempre um de cada vez, com acerto nas contas, para que não se gastassem até ao meu regresso. E lembro-me que nas noites desoladas, frias e húmidas da "Coutada", onde eu tinha medo do escuro, e ainda mais saudades de casa, abria a caixa debaixo dos lençóis com muito cuidado,  para que não escapasse nenhum, até porque os beijinhos são invisíveis aos olhos, como o Essencial, mas perceptíveis ao tacto, e no meio das lágrimas, esses beijos eram o doce da água do Amor, a contrabalançar o sal da Saudade.

São esses beijos que lhe deixo hoje Filho meu, cuja voz ouço neste aqui e agora da minha (sobre)vivência, nesta existência inesperada e inusitada, mas sofridamente e diariamente sobrevivida a cada minuto, cada hora, cada dia, em sua memória, nessa breve história de apenas vinte e seis anos, uns meses e mais uns dias, nesse Futuro roubado, aniquilado, destruído, nesta costura torta, mal alinhavada, bainha mal cosida, por mãos de aprendiza!

Mil beijos meu Amor,

Mami!

 


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